“Oração é a
conversa da alma com Deus. Nela manifestamos ou expressamos diante dele nossa
reverência e nosso amor por sua divina perfeição, nossa gratidão por todas as
suas mercês, nossa penitência por nossos pecados, nossa esperança em seu amor
perdoador, nossa submissão à sua autoridade, nossa confiança em seu cuidado,
nossos anelos por seu favor e pelas bênçãos providenciais e espirituais
indispensáveis para nós e para outros”. (Hodge, Charles – Teologia Sistemática,
Hagnos, SP).
Nouwen diz:
“O silêncio profundo nos leva a suspeitar de que, em primeiro lugar, oração
é aceitação. Um homem que ora é um homem com as mãos abertas para o
mundo... Embora seja importante e até indispensável para a vida espiritual
reservar um tempo para Deus – e somente para ele – a oração só poderá tornar-se
constante quando todos os nossos pensamentos – belos ou feios altivos ou vis,
arrogantes ou humildes, tristes ou alegres – puderem ser lidos na presença de
Deus”.
Orar é
dialogar com Deus em todo tempo. Paulo
aconselha aos irmãos em Éfeso a orarem em todo tempo (6.18; 1 Tm 2.1-4).
O PASTOR/LÍDER
não pode ministrar o povo sobre Deus se ele não ministrou diante de Deus. Ele não sobe ao púlpito, mas desce ao púlpito para falar ao povo.
O homem de Deus tem intimidade com Deus para falar ao Seu povo.
Nós
falhamos quando não investimos tempo e muito tempo na oração, na intimidade com
Deus. O povo sabe quando o homem de Deus é de oração,
de intimidade com o Senhor. Não é esporádico, mas um estilo de vida. Ninguém
deve orar mais que o pastor.
A
falta de oração torna o nosso ministério sem poder, vida, entusiasmo,
criatividade, amor, graça, contentamento, dependência de Deus, sem temor, sem
glória, sabedoria. A oração pode morrer mesmo quando proclamamos
servir a Deus e não a nós mesmos. De fato, um dos lugares mais carentes de
oração pode ser um seminário ou mesmo uma igreja. A erudição acerca de Deus ou
a religiosidade em Seu nome podem sutilmente tornar-se substitutos do
relacionamento pessoal com Deus (Dr. James Houston – Oração, o Caminho para
quem busca a amizade com Deus – Editora Palavra).
A
melhor oração é quando acontece no meio das duras provas (Daniel). Quando estamos passando por crises (Elias). Quando somos perseguidos
implacavelmente (Paulo). A vida de oração deve ser construída no solo do
sofrimento (Jesus no Getsêmani). A sua matéria-prima é constituída de gratidão,
reconhecimento, verdade, integridade, contentamento, serviço, abnegação,
humildade, mansidão, sendo tudo unido com o cimento da fé.
Uma
oração de Calvino nos fornece uma percepção da luta espiritual pela qual passa
o homem de Deus: “Concedas,
Todo-Poderoso Deus, que enquanto perseverarmos em batalha neste mundo, e enquanto
for da tua vontade testar-nos com muitas provas – Ó Senhor, permita-nos que
jamais desfaleçamos, não importa quão duras possam ser as provações que
tenhamos de enfrentar. Assim como tu tens nos favorecido com tal honra de
sermos edificadores de teu templo, possamos todos nós apresentar-nos e
consagrarmo-nos totalmente a ti. Visto que cada um de nós tem recebido algum
dom espiritual, que possamos nos empenhar para usá-los na edificação deste
templo espiritual, de modo que tu possas ser adorado entre nós para todo o
sempre. Em especial, cada um de nós possa oferecer-se como um sacrifício
espiritual a ti, até que sejamos renovados à tua imagem e recebidos em
participação plena da tua glória, que para nós foi obtida pelo sangue de teu
Filho Unigênito”.
Há um
segredo para a vida de oração do pastor: perseverança. Em João 15.1-11, o verbo permanecer ocorre 12
vezes. A vida de oração em João 15.8 está relacionada a três grandes conquistas
(James Rosscup): glorificação, multiplicação e autenticação. Há um
ditado comum: “Apenas uma vida, logo passará. Apenas o que para
Cristo for feito sobrará”.
Em
Efésios 6.18, Paulo nos dá algumas lições muito preciosas acerca da oração:
- A oração é
para todas as situações (“com toda oração”). Ela pode assumir qualquer forma:
louvor, ação de graças, confissão, petição, intercessão ou declaração.
- A oração é
para todas as épocas (“em todo tempo”). Spurgeon comentou sobre orar sete vezes
ao dia (Sl 119.164), “em cada toque, em cada curva”. Sete denota completitude
na oração e recorrência habitual.
- A oração é
toda no Espírito. Ela nos dá direção e, em todos os caminhos, aprende a manter
seu compromisso com os propósitos do Espírito.
- A oração é
perseverante. Paulo usa duas palavras para perseverança: “estar alerta”; “vigio”;
e “apegar-se a” “atentar continuamente”; “fico continuamente com”.
- A oração é por todos os santos. Jesus
e Paulo (João 15.7,8 e Efésios 6.10-20 – “permanecer” e “estai, pois, firmes”;
“orando em todo tempo” e “vigiando com toda perseverança”), definiram a
importância da oração no ministério. Oração tão esquecida, tão subestimada
hoje. “Não temos tempo...”
Como
pastores/líderes, devemos ser exemplos de oração: Na vida pessoal; na vida familiar; nas reuniões cotidianas; nas
reuniões de lideres.
Nas
reuniões de líderes dentro do espectro da oração precisamos entender que:
- A liderança
eclesiástica implica supervisão da Igreja de Deus, não da nossa igreja.
- A liderança
da igreja implica autoridade, não poder.
- A liderança
da igreja implica liderança servil, não liderança tirânica.
- A liderança
da igreja implica livramento e confronto, não controle.
- A liderança
da igreja implica transferir boa parte do processo de tomada de decisões para os
membros do corpo.
Spurgeon
considera a relevância da ORAÇÃO PARTICULAR DO PREGADOR:
- Ele ora
como um cristão comum ou de outra forma seria um hipócrita. Ora mais que os
cristãos comuns, ou de outra forma seria desqualificado para o cargo que
assumiu.
- Ora como
marido e como pai; luta para fazer as devoções domésticas um modelo para o seu
rebanho; e se o fogo do altar de Deus há de bruxulear (estremecer) em algum
outro lugar, é bem mantido na casa do servo escolhido do Senhor – pois ele vela
para que os sacrifícios da manhã e da tarde santifiquem a sua habitação.
Como
ministro, ele está sempre orando (Lc 18.1).
A oração
fornece força à alavanca para levantar verdades de peso.
Os melhores e
mais santos homens sempre fizeram da oração à parte mais importante quando do
preparo para o púlpito.
- O homem que
for poderoso na oração poderá ser uma muralha de fogo ao redor do seu país... e
seu escudo. Todos já ouvimos como os inimigos da causa do protestantismo temiam
as orações de John Knox mais que a exércitos de dez mil homens.
- O ministro
que não ora fervorosamente pela obra que realiza, só pode ser um homem fútil e
vaidoso... O pregador que negligencia orar só pode ser muito desleixado quando
ao seu ministério.
Joseph
Alleine, quando estava bem de saúde, escreve sua esposa, ‘levantava-se
constantemente às quatro horas, ou antes, e ficava aborrecido quando ouvia
ferreiros ou outros artesãos em suas atividades antes de ele estar em comunhão
com Deus, dizendo-me muitas vezes: Como este ruído me envergonha! O meu Senhor
não merece mais do que o deles? Das quatro à oito ficava em oração, em santa
contemplação e cantando salmos, com que se deleitava muito, e o que praticava
diariamente, a sós e com a família.
Precisamos
fazer retiros pessoais. Uma pousada, um sitio, um hotel, onde teremos
tranquilidade para um tempo mais qualitativo e quantitativo com Deus.
E. M.
Bounds, escreveu algumas coisas muito significativas sobre o líder e a oração: Muita oração é o sinal e o selo dos grandes lideres de Deus.
- Cada líder
deve ser preeminentemente um homem de oração. Seu coração deve diplomar-se na
escola de oração... Não é possível que alguém fale bem e com sucesso aos homens
sobre Deus se não tiver aprendido a falar com Deus sobre os homens.
O ministro
santo e dotado da Igreja da Escócia, Robert Murray MacCheyne, disse: “Em geral é melhor ter pelo menos uma hora a sós com Deus antes de
envolver-se em qualquer outra coisa. Devo passar as melhores horas do dia em
comunhão com Deus”.
Quando
perguntaram a Spurgeon qual o segredo do seu sucesso, ele respondeu: Trabalho de joelhos! Trabalho de joelhos!
Andrew
Murray, líder sul africano, perguntou: Qual a
razão de muitos obreiros cristãos no mundo não terem uma influencia
maior? Nada além disto – a falta de oração em seu serviço... Nada
além do pecado da falta de oração é a causa da falta de uma vida espiritual
poderosa.
Spurgeon
clamou: “Oh, que pudéssemos ter quinhentos Elias, cada um
em seu Carmelo, clamando a Deus, e logo veríamos as nuvens irrompendo em chuva.
Oh, que haja mais oração, mais oração constante e incessante”.
J.
Gordon já dizia há muito tempo: Nossa
geração está perdendo rapidamente seu contato com o Sobrenatural; e, em
consequência, o púlpito está aceleradamente caindo para o nível do palco. Este
declínio, segundo cremos, é devido, mais que tudo, e oração. O Espírito Santo
não é derramado através de métodos, mas de homens. Ele não vem sobre maquinas,
mas sobre homens. Ele não unge planos, mas homens – homens de oração.
A
oração diária, amados companheiros de jornada profética, prolongada, aumenta a
sua semelhança com Cristo e a Sua fragrância espiritual paira onde quer que
você vá... A nossa tarefa é grande demais e é ai que
precisamos orar, orar e orar. É o preço da oração.
A
ORAÇÃO PREPARA A BENÇÃO DE DEUS PARA CADA SERVIÇO (DUEWEL).
- A oração
conjunta é requerida para encher o prédio com a presença de Deus (John Maxwell
e os 200 homens de oração em 4 grupos...)
- A oração
conjunta ajuda a trazer os necessitados ao culto.
- A
oração conjunta pode ungir os cânticos.
- A oração
conjunta pode fazer com que a leitura publica das Escrituras fale aos corações.
- Muita
oração é necessária para preparar o caminho para a oração pastoral.
A intimidade
do Senhor é para os que O temem (Sl 25.14).
Concluindo:
Oração para
nós não é alternativa, mas ordem. Não é escolha, mas determinação do Pai que
nos chamou com uma santa vocação não para fazermos a nossa vontade, mas a dele.
James Houston
nos faz refletir acerca da relevância da oração: Viver sem oração é, afinal,
desacreditar em Deus e abrir mão dos mais importantes valores humanos, tais como
fé, esperança e amor. Viver sem orar é fruto de ir para cama com todas as
atitudes da sociedade secular moderna. Provavelmente, o NT duramente
denominaria tais comportamentos como ‘impiedade’.
É fácil ceder
ao espírito, secular quando depositamos nossa fé na tecnologia, nossa esperança
no pragmatismo e nosso amor no intelecto humano. Todas estas coisas nos
capacitam a realizar o que queremos da forma que desejamos. Em última
instância, como expressou C.S. Lewis em ‘O Grande Abismo’, “ou Deus nos diz
‘seja feita a tua vontade’, em condenação e perda, ou nós dizemos a mesma frase
a Deus”. No fim das contas, a oração é uma batalha da vontade. Tal conflito nos
faz escolher o que realmente desejamos.
Agostinho
orou assim: “Ouvi, Senhor, a oração para que a minha alma não desfaleça sob a
Vossa Lei, nem esmoreça em confessar as misericórdias com que me arrancastes de
perversos caminhos. Fazei que a vossa doçura supere todas as seduções que eu
seguia. Que eu Vos ame arrebatadamente e abrace a vossa mão com toda a minha
alma para que me livreis de todas as tentações até ao fim”.
Texto: Pr.
Oswaldo Jacob
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